12 dezembro 2011

Ser professor não é fácil

Já todos nós tínhamos ouvido dizer que ser professor é uma tarefa trabalhosa, uma profissão ingrata, difícil, de quilómetros para fazer, deslocada, desvalorizada, etc... Nos tempos próximos, assistimos a grandes manifestações de professores que levaram milhares às ruas de Lisboa! Todos sabemos disso.

Mas existem pormenores que, só entrando neste mundo, é que se conhecem.
Como já estavam as aulas a decorrer quando entrei na Escola, o "comboio" já tinha começado a andar e eu agarrei-me a uma carruagem e lá fui...

Quando entramos numa profissão, deveriam ser-nos dadas as lições básicas para a podermos executar sem parecermos uns "estagiários", uns novatos (ou mesmo totós!) na matéria.

Lembro-me que, quando iniciei a actividade de Arquitectura, tive a esta sensação, e agora, como Professora, estou a repeti-la.
No caso da Arquitectura, o meio era pequeno, um atelier onde todos parecem remar no mesmo sentido. Existe uma ou duas pessoas que te integram na tua nova "família" e que se mostram completamente disponíveis em te ajudar.
Digamos que, em traços largos, numa Escola passa-se o mesmo, mas com umas proporções mais alargadas: chegando a uma Escola pela primeira vez, o meio é um universo maior, com alguns Directores, Responsáveis, Coordenadores, Departamentos, Grupos... aparentemente com objectivos iguais, mas remando cada um no seu sentido. Existem uma ou duas pessoas que te integram na nova uma "super-família" cheia de primos muito afastados, e que se mostram completamente disponíveis para te ajudar, mas que têm milhentas coisas para fazer! Transformando-se a grande vontade de ajudar numa esperança de "salve-se quem puder e que eu seja um deles"!

Na minha segunda semana de aulas houve um preenchimento de calendário por reuniões, onde tive contacto com a versão "Língua dos Pês - modo Professor", o dito "chinês": "...temos alunos PEI nesta turma" "e cada um tem de realizar o APA"... "esta aluna está quase a atingir o PIT, por isso temos de planeá-lo em breve... vão pensando nisso!"... Hein? É claro que, quando todos acenam, nós, ignorantes, não temos coragem, apesar da vontade, de exprimir com som as interjeições que nos passam pela cabeça... "O quê?? wtf?? ...Temos o hein? o PEI quê? Hum?"
E substituímos tudo isto pelo aceno de cabeça e pelo convicto "Sim, sim... claro que temos." e as interjeições na minha cabeça dão lugar a "Tenho de perguntar à minha mãe!".

Devia existir uma formação obrigatória de pedagogia e funcionamento Escolar... porque, já lá andámos muitos anos como alunos, mas nos bastidores passa-se tanta coisa que nunca nos apercebemos! Era escusado passarmos por estas figuras e termos de procurar as "Mães" que nos expliquem tudo...

Viva o PAA, o APA, o PEI e os OEs! Viva a DT, o Eor e o Ep que vieram enriquecer o meu vocabulário de siglas... e que irritam o meu sistema nervoso!