23 janeiro 2012

O Livro Laranja!

A idade é algo que nos acompanha ao longo da vida, que comemoramos ano após ano, mas que repudiamos o crescimento. Não que não queiramos viver os anos... sim, de facto todos desejamos chegar à idade daquelas senhoras bem penteadas, com muitos filhos e netos, felizes e uma idade de orgulho, de preferência atingir os 90 anos, mas só daqui a uns trezentos anos, claro!

E se, quando alguém nos diz "Estás mais velha!", nos vem logo à cabeça que talvez seja o momento ideal para nos agarrarmos ao pescoço desse alguém, quando nos dizem "Estás mais nova!" nasce sempre um sorriso expressivo e esperançoso de que não seja apenas a manifestação pura de simpatia, mas antes que aquelas rugas ou pele descaída algures tenham desaparecido e que se tratem de um mal entendido à luz dos nossos olhos... ou então que estejamos melhores a esconde-las dos outros!

Existem, por outro lado, algumas situações que em que sermos vistos como mais novos pode não ser a coisa mais prazerosa ou confortável. E ultimamente tenho passado por esses momentos.

Quem me conhece sabe que não sou de grandes maquilhagens, que gosto de me vestir de forma confortável e que sempre fui "confundida" como mais nova - desde as filas da discoteca, até à porta do Casino, nunca pude estar à frente, ser a primeira do grupo.
E a verdade é que, não é por estar a dar aulas numa escola à séria que mudei muito. Dou mais importância à mala com que ando, ao cabelo, que tenho o trabalho de esticar, aos sapatos, para não usar ténis todos os dias, ao blush e ao risco nos olhos, que faço questão de não me esquecer de pôr!
Mas as meninas de hoje são realmente "evoluídas", para não lhes chamar "aperaltadas" ou "enfeitadas", e o meu esforço nem sempre resulta.

Quando algum funcionário da Escola que eu não conheça me vê numa zona apenas de professores, penso logo em atitudes que me possam denunciar ou identificar como professora - desde andar com o nariz no ar e aspeto confiante, dizer "Boa tarde" com um sorriso e, se tiver comigo o Livro de Ponto, colocá-lo bem à vista! Sim, esse é o melhor método! O Livro é laranja e as minhas pastas costumam ser pretas... criando-se ali um contraste perfeito! E entre alunos, quando uma pessoa tem de atravessar o pátio cheio, o Livro de Ponto vai sempre debaixo do braço do lado de fora da pasta, para evitar empurrões e substituir qualquer possível rasteira ou piropo por "É professora?!" em burburinho... E até agora tem resultado!
Na papelaria, em que o balcão alto me reduz a eficácia dos truques, é que não consigo evitar a ira da funcionária ao entrar perto da hora de fecho... mesmo antes de falar "Oh menina, já fechou!".

20 janeiro 2012

Qual o melhor caminho?

O Mundo é algo mágico, quase inexplicável para muitos, e que nos põe à prova um sem número de vezes.
Talvez a maioria das pessoas não se aperceba que isto acontece, mas se existe a "luz" que ilumina as nossas decisões, é um facto que existe outra, uma espécie de holofote de estádio de futebol, que nos mostra todos os desafios e problemas por e para resolver! E, quando achamos que o holofote está focado num caminho que devemos seguir, liga-se outro, com aquele dramatismo de filme de cinema, aquele som de suspense de "E agora?... Vai acontecer alguma coisa!"... Pois, e a "coisa" acontece... a dúvida aparece e temos de nos pôr ao ataque com a decisão!

Ultimamente, pensei que esta minha lacuna, falha, defeito - como lhe queiram chamar - estava quase ultrapassada. A vida tem-me dado algumas hipóteses de optar e tenho conseguido superar os desafios.
Mas, quando fica tudo mais calmo, surge sempre uma novidade! Que não costuma ser confortável, pelo menos para o sono!

Depois de ter decidido que vou aceitar o lugar de professora de Geometria Descritiva (e mesmo que a certeza nunca chegue, a decisão ficou tomada... o que me deixa orgulhosa) e quando está tudo mais calmo, surge a pergunta durante uma consulta de rotina de oftalmologia: "Então e a Isabel, não quer fazer a operação?"

Noutros tempos, já me tinha feito a mesma pergunta à qual prontamente respondi "Não Doutor, acho que ainda não estou preparada!" E não estava, nem psicologicamente, nem tão pouco financeiramente! Foi rápido e bastante eficaz.
Agora, com os benefícios financeiros do Estado ameaçados pela crise que teima em não passar (quase como se estivéssemos empoleirados numa varanda a olhar para o final da rua na esperança de vislumbrar a Banda Filarmónica...) e, finalmente, com um cartão da ADSE (que numa situação destas quase parece um Cartão Visa... GOLD!), fica mais difícil a decisão!

É um facto que ainda não estou preparada psicologicamente para a operação, mas financeiramente talvez fosse de aproveitar o "Cartão Dourado", porque Portugal pode declarar falência amanhã e depois acabou-se o financiamento da "operação estética" (como o Doutor lhe chama)... ou então mais vale mesmo ficar assim, como prova da minha confiança num Portugal melhor onde, daqui a uns anos, vou estar feliz, a dar aulas a crianças interessadas, com direito ao "Cartão Dourado" que, acompanhado da minha motivação e decisão psicológica, não me faz hesitar financeiramente!

Depois das hipóteses bem delineadas, só falta mesmo perceber qual o melhor caminho, calçar os ténis de corrida e fugir, ou aguardar pelo momento em que se desliga um dos holofotes para seguir tranquilamente o outro, ou ainda pelo deflagrar de um "incêndio" algures para eu seguir as setas de "SAÍDA DE EMERGÊNCIA".
Vai ser uma opção natural, acredito que sim.

02 janeiro 2012

Um desejo

No fim do Alto Alentejo, com o sol de Inverno de final de tarde a bater nas nossas caras, surge a mensagem de ano novo...


Sem grandes comentários, parece que o ciclo por onde estas palavras já passaram retomou e tem lugar nos dias de hoje. Não sei como é que há tanto tempo se diziam palavras tão sábias acerca de um futuro como o de amanhã, mas encheram-me (...encheram-nos) de esperança. Esperança em cada um de nós. O desejo fica aqui... cuidar do meu canteiro.