31 outubro 2011

o nome das coisas

É sabido que o ensino agora preenche a minha vida... passei a ser a "Professora" em vez de "Arquitecta". E a verdade é que até eu própria não me lembro muitas vezes que sou "Arquitecta" de profissão, em vez da "Professora" que só agora iniciou viagem neste mundo do "ser".

As pessoas, de um modo geral, dão-se bem com os nomes das profissões, os nomes das coisas, os rótulos. Ou antes, as pessoas dão-se mal com o facto de não ter o nome certo para a coisa certa! Tem sempre de existir um nome para tudo - se não temos namorado, somos solteiros; se não temos profissão, passamos de "Arquitectos" a Desempregados; se estamos aborrecidos, somos deprimidos; se estamos bem, somos felizes; se simplesmente estamos, somos "Estranhos".
Não podemos apenas "não ser" ou "não ter", arranjamos sempre um nome para as coisas - o dito "Rótulo".

A verdade é que todos nós já passámos por momentos em que estamos mais "coiso" ou por situações "tipo isso" que nos fazem lembrar que nem tudo tem de ter um conceito associado!
Por vezes não há grande razão ou justificação para as coisas, para o que sentimos, para o que fazemos, e, mesmo sem sabermos, surge o rótulo, que tende a tornar-se redutor, limitador ou ambicioso e desmedido.

Quando me perguntam o que sou ou o que faço, não respondo "Professora", porque o meu conceito de "Professora" ainda está longe daquilo que sou ou faço. Mas sim, "estou no ensino e sou Arquitecta de formação".
Bem sei que vivemos numa sociedade, numa cultura, num "planeta" em que todos esperam e procuram o rótulo das coisas, do que são, do que querem ser, por isso, e como também estou formatada a este vício, também tento encontrá-los.

Apesar disso, e porque a vida me tem mostrado que não consigo nem devo dar um nome a tudo, hoje estou um bocado "coisa", simplesmente estou... a caminho de mais um dia de trabalho.

15 outubro 2011

Aos meus Amigos

Os amigos são as pessoas mais importantes nas nossas vidas.
Polémica! Já sei... "Então e a família? e o amor da nossa vida?? hein?!" Sim, mas digam lá se, na família, os que estão mais ligados a nós são ou não aqueles que são os nossos amigos? E o amor da nossa vida, só o é de facto, se a amizade perdurar, certo?

Sim, é tema polémico, mas este sentimento que tenho para com os que me rodeiam não é novidade e vou continuar a mantê-lo. E por estes amigos sinto Amor, o mais puro amor que sinto pela família e pelo amor da minha vida... em variante de "amigo", claro! Confusão?...não, até é simples...

E este sentimentalismo todo porque hoje é um dia em que gostava de os reunir todos os amigos para contar novidades boas!
Esta coisa de partilhar bons momentos, por vezes não é tão valorizada como partilhar maus momentos. Sabemos que quando algum amigo passa por um mau bocado ou precisa de ajuda para algo, nós fazemos questão de acompanhar, de suportar, de encontrar as melhores palavras, as forças que nem sabemos onde andam, de chorar com eles, de fazê-los rir, esquecer os maus momentos, de ajudar... de estar lá!
Também sabemos que, quando somos nós a precisar de apoio, os nossos amigos estão lá, querem estar, fazem por isso, abraçam-nos com aquela energia revitalizante!

E nos bons momentos?... Por vezes não contamos, não partilhamos, lembramo-nos de dizer, mas não tivemos tempo, não nos demos tempo, nem lhes demos esse nosso tempo... que no fundo acaba por ser de reconhecimento, de apreço e devoção, de admiração, de eterno agradecimento pela participação nas nossas vidas.
E como quero ter esse "nosso" tempo, fica aqui uma pequena grande partilha... Não, não estou grávida ;) Vou dar aulas numa escola, com alunos e professores a sério! Lol... Ainda me parece meio estranho, mas sim, é oficial, Professora de Educação Visual de 8º e 9º anos na escola... adivinhem!? Escola Secundária de Sebastião da Gama!

Para quem não sabe, a minha escola de crescimento - 7º ao 12º ano!! -, para quem sabe... é verdade!! Lol! Agora lá vou eu chamar o Professor João de "Colega!"... Para não falar do Vinhas, do Galrinho, da Helena Ferreira e Helena Araújo... Estão lá todos! Vai ser engraçado...
Abreviando pormenores, para a semana começo as aulas, estou a tremer de medo... mas acho que vou sobreviver. Assim espero! Depois desenvolvo, conto como foi, as barracas de descobrir onde se ligam as luzes, ou como é levar uma apresentação de Pc e depois aquilo não funcionar sabe-se lá porquê?!... Prometo que conto as barracas todas!

Bem, ficam as partilhas, as mágoas, os medos, as angústias, os nervosos miudinhos, a vontade de vos abraçar e de vos dizer que vos amo.

PS. Vou precisar de ideias para as melhores aulas que já se viram, hein?! E a quem vou recorrer?!... Aos meus amigos :)

04 outubro 2011

Aqui, no lado do caderno e da caneta, não há "pausa"

Esta coisa de escrever no combóio não facilita o meu trabalho... É que eu sou do tempo da dita moleskine, do caderno e da caneta perdida no fundo da mala, com a tinta meio ressequida... crio assim um "delay" inevitável! Um dia tenho de aderir ao tablet , a nova forma de comunicar com o mundo para que, ao escrever, não esteja à distância de um teclado e um ecrã... sim, porque o tablet parece-me que até cabe na minha mala!... :) um dia faço o investimento!

"Porque é que passamos metade da vida a querer que cuidem de nós a outra metade a querer o oposto?"
Existe um anúncio de televisão em que aparece um senhor que diz uma coisa assim parecida. De facto não me lembro do que é o anúncio, mas este conceito ficou-me... (bom marketing... de conceito).

O ser humano é irremediavelmente confuso, de uma forma geral ambicioso, de outra permissivo e subjugado. Temos de tudo, em todo o lado, até onde menos se espera... tipo, na nossa casa! "Ah, na minha não...nem pensar!" ...Pois, mas a verdade é que passamos a nossa infância a querer andar debaixo da saia da mãe e nos braços do pai; na adolescência e juventude vem aquela fase de revolta em que queremos ter a individualidade e personalidade própria, o mais distinta possível dos donos dos colos antes tão adorados; e chega a fase adulta em que nos sentimos numa busca demasiado intensa por alguém de quem cuidar e que cuide de nós.
Mas que cuide até certos limites... quando nos apetecer pôr na pausa, metemos. Quer dizer, queríamos meter! Mas não se processa bem assim... como sabemos! A pausa não é remédio nem solução para o "cuidar" que queremos atingir.

Por isso esqueçam todos as novelas, os filmes, o comando remoto e as novas pausas nas boxes que dão tanto jeito, porque aqui no lado dos cadernos e canetas ressequidas, fora e longe das tecnologias, continua tudo na mesma. Queremos estar com alguém, estamos. Gostamos, obedecemos, cedemos, criticamos. Faz tudo parte desta partilha, deste coabitar que todos ansiamos um dia alcançar.
O Amor não é perfeito... e não compensa esperarmos que seja.

Era como se os peixes nunca tivessem espinhas, ou as uvas nunca tivessem caroços... Era estranho.