Esta coisa de escrever no combóio não facilita o meu trabalho... É que eu sou do tempo da dita moleskine, do caderno e da caneta perdida no fundo da mala, com a tinta meio ressequida... crio assim um "delay" inevitável! Um dia tenho de aderir ao tablet , a nova forma de comunicar com o mundo para que, ao escrever, não esteja à distância de um teclado e um ecrã... sim, porque o tablet parece-me que até cabe na minha mala!... :) um dia faço o investimento!
"Porque é que passamos metade da vida a querer que cuidem de nós a outra metade a querer o oposto?"
Existe um anúncio de televisão em que aparece um senhor que diz uma coisa assim parecida. De facto não me lembro do que é o anúncio, mas este conceito ficou-me... (bom marketing... de conceito).
O ser humano é irremediavelmente confuso, de uma forma geral ambicioso, de outra permissivo e subjugado. Temos de tudo, em todo o lado, até onde menos se espera... tipo, na nossa casa! "Ah, na minha não...nem pensar!" ...Pois, mas a verdade é que passamos a nossa infância a querer andar debaixo da saia da mãe e nos braços do pai; na adolescência e juventude vem aquela fase de revolta em que queremos ter a individualidade e personalidade própria, o mais distinta possível dos donos dos colos antes tão adorados; e chega a fase adulta em que nos sentimos numa busca demasiado intensa por alguém de quem cuidar e que cuide de nós.
Mas que cuide até certos limites... quando nos apetecer pôr na pausa, metemos. Quer dizer, queríamos meter! Mas não se processa bem assim... como sabemos! A pausa não é remédio nem solução para o "cuidar" que queremos atingir.
Por isso esqueçam todos as novelas, os filmes, o comando remoto e as novas pausas nas boxes que dão tanto jeito, porque aqui no lado dos cadernos e canetas ressequidas, fora e longe das tecnologias, continua tudo na mesma. Queremos estar com alguém, estamos. Gostamos, obedecemos, cedemos, criticamos. Faz tudo parte desta partilha, deste coabitar que todos ansiamos um dia alcançar.
O Amor não é perfeito... e não compensa esperarmos que seja.
Era como se os peixes nunca tivessem espinhas, ou as uvas nunca tivessem caroços... Era estranho.
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