Há uns dias, falei com uma antiga colega de faculdade, que está grávida, sobre o que a levou a tomar o passo. Entre várias razões, houve uma que me deixou a pensar na vida e no que fazemos com ela - a Joana disse-me que se apercebeu que só ainda não queria ter sido mãe porque tinha um medo enorme, avassalador de tomar essa decisão, de assumir essa responsabilidade, mas que, no fundo, queria "desesperadamente ser mãe!".
De facto, nem sempre a vida nos premeia com o trabalho ideal, com a casa ideal, com a vida ideal, com aquilo que sonhamos desde que pensamos na vida como um conjunto de objectivos a atingir.
E, mesmo sabendo nós que podemos ter mais ou menos sorte com o que encontramos nos nossos caminhos, o medo de enfrentarmos algo com o qual não sabemos lidar, que não temos "escrito" como reagir, tira-nos, muitas vezes, talvez mesmo demasiadas, passos que até poderiam ser tão bons, tão importantes.
Este medo decide, muitas vezes, por nós. Este é aquele medo que nos faz terminar um curso que não gostamos, que nos arranja as melhores desculpas quando temos uma consulta ou um exame importante marcado, que nos faz mudar de lado na rua porque se aproxima um cão daqueles grandes... e sem trela!
É um medo de ter de fugir e não conseguir, medo de ficar perdido, da sorte não premiar o amanhã.
Mas este medo pode ser também confundido com a ambição e esperança que vai desenhando o futuro como sonhos. E passo a explicar...
A vontade de alcançarmos o que sonhámos como ideal, como atingível ao nosso rumo, cria, em torno das nossas escolhas, uma censura que apelidamos de "medo de não conseguir", "medo de não estar à altura", "medo de errar", de ainda não ser o momento certo... medo de nos desapontarmos connosco próprios.
A verdade é que o dia de amanhã, que temos como certo que será melhor, pode não chegar sob essa forma cor-de-rosa, pode nunca dar-nos (sequer!) oportunidade de optar correctamente.
Nesta história toda, é bom irmo-nos apercebendo destes ilusionismos que nos fascinam e nos encantam (ou enganam), desviando-nos dos verdadeiros objectivos e das suas mais puras essências. Só assim podemos tentar viver mais e melhor, entender o que estamos a perder e a altura certa para fazer cada coisa.
Vencer cada medo hoje, torna-nos pessoas melhores amanhã. Mais genuínas.
my minds moleskine
20 março 2012
03 março 2012
a velha intuição
Acho que ainda não escrevi sobre um assunto que me tem acompanhado desde Novembro e que tem preenchido um pouco mais a minha vida de mística, magia, descobertas, curiosidades, filosofias, ideologias - o Feng Shui.
Não quero falar dele como conceito ou como princípios de vida, apenas me deu vontade de escrever, como forma de desabafo, acerca do módulo que agora está a ser desenvolvido, a minha lacuna desde que me conheço - o Módulo Intuitivo.
Digamos que sou uma mulher com um "sexto sentido" muito ligado à razão. Nos últimos anos tenho tentado ligar-me muito mais ao lado intuitivo e espiritual do mundo que me rodeia. Tenho tentado reunir em mim uma condição espiritual que me integre, quase, no campo das "bruxinhas", como diz o meu pai.
Posso desde já assumir que, de facto, tem tido algum efeito, tem-me dado imenso prazer esta descoberta de um mundo quase paralelo que constrói a minha "religião", onde deposito a minha "crença"... até que me confronto com um pêndulo e umas varetas que, comigo, não funcionam!
E fico triste de não funcionarem... o que sinto faz-me lembrar o que sentia naquelas experiências da moeda e do copo em que "alguém está a mexer o copo!". E acho que é este sentimento de "teste" que me está a bloquear a metafísica, a intuição e a ligação a um espaço mais invisível e mais sentido.
Gostava mesmo que, em alguma dúvida, pudesse pensar "vou consultar o pêndulo", da mesma forma que quando somos crianças com dúvidas existenciais pensávamos "vou perguntar à mamã".
Já que esta parte não se tem realizado, vou tentar continuar atenta à intuição, aos sentidos e sentimentos apurados, às auras que preenchem os espaços, ao prana de que tenho tantas saudades, ao meu chakra do plexo solar que me dói de vez em quando.
Não quero falar dele como conceito ou como princípios de vida, apenas me deu vontade de escrever, como forma de desabafo, acerca do módulo que agora está a ser desenvolvido, a minha lacuna desde que me conheço - o Módulo Intuitivo.
Digamos que sou uma mulher com um "sexto sentido" muito ligado à razão. Nos últimos anos tenho tentado ligar-me muito mais ao lado intuitivo e espiritual do mundo que me rodeia. Tenho tentado reunir em mim uma condição espiritual que me integre, quase, no campo das "bruxinhas", como diz o meu pai.
Posso desde já assumir que, de facto, tem tido algum efeito, tem-me dado imenso prazer esta descoberta de um mundo quase paralelo que constrói a minha "religião", onde deposito a minha "crença"... até que me confronto com um pêndulo e umas varetas que, comigo, não funcionam!
E fico triste de não funcionarem... o que sinto faz-me lembrar o que sentia naquelas experiências da moeda e do copo em que "alguém está a mexer o copo!". E acho que é este sentimento de "teste" que me está a bloquear a metafísica, a intuição e a ligação a um espaço mais invisível e mais sentido.
Gostava mesmo que, em alguma dúvida, pudesse pensar "vou consultar o pêndulo", da mesma forma que quando somos crianças com dúvidas existenciais pensávamos "vou perguntar à mamã".
Já que esta parte não se tem realizado, vou tentar continuar atenta à intuição, aos sentidos e sentimentos apurados, às auras que preenchem os espaços, ao prana de que tenho tantas saudades, ao meu chakra do plexo solar que me dói de vez em quando.
26 fevereiro 2012
Avebury, Inglaterra
Há quem acredite na religião, num Deus que nos mostra os caminhos, em algo superior em quem podemos descarregar algumas frustrações. Há quem peça um desejo por cada rasto de avião, por cada moeda atirada ao lago.
Ao programarmos um dia da viagem nesta visita à família em Inglaterra, surgiu o Stonehenge como local a visitar. Era uma visita previsivelmente longa, por isso seria um dia realmente dedicado aos místicos "calhaus". Para mim, mais do que isso, é a visita a um local que sempre me acompanhou nos livros de história, de história da Arte, dos mistérios por resolver, dos feitos que o Homem alcançou e que ainda não conseguiu justificar.
Depois de ler alguns blogues de viagens, o nome da aldeia Avebury entrou na minha cabeça como um destino pelo qual valia a pena passar numa visita a Stonehenge: não é muito longe, a uns 50 minutos de distância, uma pequena terra que guarda os mistérios de ter o maior círculo de pedras/menires/"calhaus de Obelix" da Europa. Para além disso, era um local onde poderíamos tocar nas Pedras (coisa que, nos dias de hoje, não podemos fazer no Stonehenge).
Depois de apanharmos frio na visita ao Stonehenge, passou a ser vista como mais um sítio para ver calhaus pelos "turistas" que acompanharam a minha visita e a do Eduardo, mas acabou por ser uma boa surpresa.
Avebury, para além de ser uma terrinha bem mística, permitiu-nos andar pelos caminhos que, também já interditos, não tinham qualquer tipo de segurança que se assemelhasse ao Stonehenge. Por isso os fizemos, com o prazer de turistas curiosos.
No final do nosso trilho, existia um conjunto de 4 árvores com raízes salientes da terra e com os ramos cheios de fitinhas de diferentes cores.
A lógica natural é de pensarmos logo que é uma "Árvore de Desejos". Fizemos questão de não sair dali sem deixar a nossa "fitinha", o nosso pedacinho de esperança, o nosso desejo pedido.
Já tínhamos ouvido falar do círculo de pedras, de facto comprovado por nós também. Mas não tínhamos ouvido falar das árvores. Foi uma boa descoberta. Um bom local, mágico, para deixar um desejo.
Fica o conselho, o registo e a lembrança.
Ao programarmos um dia da viagem nesta visita à família em Inglaterra, surgiu o Stonehenge como local a visitar. Era uma visita previsivelmente longa, por isso seria um dia realmente dedicado aos místicos "calhaus". Para mim, mais do que isso, é a visita a um local que sempre me acompanhou nos livros de história, de história da Arte, dos mistérios por resolver, dos feitos que o Homem alcançou e que ainda não conseguiu justificar.
Depois de ler alguns blogues de viagens, o nome da aldeia Avebury entrou na minha cabeça como um destino pelo qual valia a pena passar numa visita a Stonehenge: não é muito longe, a uns 50 minutos de distância, uma pequena terra que guarda os mistérios de ter o maior círculo de pedras/menires/"calhaus de Obelix" da Europa. Para além disso, era um local onde poderíamos tocar nas Pedras (coisa que, nos dias de hoje, não podemos fazer no Stonehenge).
Depois de apanharmos frio na visita ao Stonehenge, passou a ser vista como mais um sítio para ver calhaus pelos "turistas" que acompanharam a minha visita e a do Eduardo, mas acabou por ser uma boa surpresa.
Avebury, para além de ser uma terrinha bem mística, permitiu-nos andar pelos caminhos que, também já interditos, não tinham qualquer tipo de segurança que se assemelhasse ao Stonehenge. Por isso os fizemos, com o prazer de turistas curiosos.
No final do nosso trilho, existia um conjunto de 4 árvores com raízes salientes da terra e com os ramos cheios de fitinhas de diferentes cores.
A lógica natural é de pensarmos logo que é uma "Árvore de Desejos". Fizemos questão de não sair dali sem deixar a nossa "fitinha", o nosso pedacinho de esperança, o nosso desejo pedido.
Já tínhamos ouvido falar do círculo de pedras, de facto comprovado por nós também. Mas não tínhamos ouvido falar das árvores. Foi uma boa descoberta. Um bom local, mágico, para deixar um desejo.
Fica o conselho, o registo e a lembrança.
23 janeiro 2012
O Livro Laranja!
A idade é algo que nos acompanha ao longo da vida, que comemoramos ano após ano, mas que repudiamos o crescimento. Não que não queiramos viver os anos... sim, de facto todos desejamos chegar à idade daquelas senhoras bem penteadas, com muitos filhos e netos, felizes e uma idade de orgulho, de preferência atingir os 90 anos, mas só daqui a uns trezentos anos, claro!
E se, quando alguém nos diz "Estás mais velha!", nos vem logo à cabeça que talvez seja o momento ideal para nos agarrarmos ao pescoço desse alguém, quando nos dizem "Estás mais nova!" nasce sempre um sorriso expressivo e esperançoso de que não seja apenas a manifestação pura de simpatia, mas antes que aquelas rugas ou pele descaída algures tenham desaparecido e que se tratem de um mal entendido à luz dos nossos olhos... ou então que estejamos melhores a esconde-las dos outros!
Existem, por outro lado, algumas situações que em que sermos vistos como mais novos pode não ser a coisa mais prazerosa ou confortável. E ultimamente tenho passado por esses momentos.
Quem me conhece sabe que não sou de grandes maquilhagens, que gosto de me vestir de forma confortável e que sempre fui "confundida" como mais nova - desde as filas da discoteca, até à porta do Casino, nunca pude estar à frente, ser a primeira do grupo.
E a verdade é que, não é por estar a dar aulas numa escola à séria que mudei muito. Dou mais importância à mala com que ando, ao cabelo, que tenho o trabalho de esticar, aos sapatos, para não usar ténis todos os dias, ao blush e ao risco nos olhos, que faço questão de não me esquecer de pôr!
Mas as meninas de hoje são realmente "evoluídas", para não lhes chamar "aperaltadas" ou "enfeitadas", e o meu esforço nem sempre resulta.
Quando algum funcionário da Escola que eu não conheça me vê numa zona apenas de professores, penso logo em atitudes que me possam denunciar ou identificar como professora - desde andar com o nariz no ar e aspeto confiante, dizer "Boa tarde" com um sorriso e, se tiver comigo o Livro de Ponto, colocá-lo bem à vista! Sim, esse é o melhor método! O Livro é laranja e as minhas pastas costumam ser pretas... criando-se ali um contraste perfeito! E entre alunos, quando uma pessoa tem de atravessar o pátio cheio, o Livro de Ponto vai sempre debaixo do braço do lado de fora da pasta, para evitar empurrões e substituir qualquer possível rasteira ou piropo por "É professora?!" em burburinho... E até agora tem resultado!
Na papelaria, em que o balcão alto me reduz a eficácia dos truques, é que não consigo evitar a ira da funcionária ao entrar perto da hora de fecho... mesmo antes de falar "Oh menina, já fechou!".
E se, quando alguém nos diz "Estás mais velha!", nos vem logo à cabeça que talvez seja o momento ideal para nos agarrarmos ao pescoço desse alguém, quando nos dizem "Estás mais nova!" nasce sempre um sorriso expressivo e esperançoso de que não seja apenas a manifestação pura de simpatia, mas antes que aquelas rugas ou pele descaída algures tenham desaparecido e que se tratem de um mal entendido à luz dos nossos olhos... ou então que estejamos melhores a esconde-las dos outros!
Existem, por outro lado, algumas situações que em que sermos vistos como mais novos pode não ser a coisa mais prazerosa ou confortável. E ultimamente tenho passado por esses momentos.
Quem me conhece sabe que não sou de grandes maquilhagens, que gosto de me vestir de forma confortável e que sempre fui "confundida" como mais nova - desde as filas da discoteca, até à porta do Casino, nunca pude estar à frente, ser a primeira do grupo.
E a verdade é que, não é por estar a dar aulas numa escola à séria que mudei muito. Dou mais importância à mala com que ando, ao cabelo, que tenho o trabalho de esticar, aos sapatos, para não usar ténis todos os dias, ao blush e ao risco nos olhos, que faço questão de não me esquecer de pôr!
Mas as meninas de hoje são realmente "evoluídas", para não lhes chamar "aperaltadas" ou "enfeitadas", e o meu esforço nem sempre resulta.
Quando algum funcionário da Escola que eu não conheça me vê numa zona apenas de professores, penso logo em atitudes que me possam denunciar ou identificar como professora - desde andar com o nariz no ar e aspeto confiante, dizer "Boa tarde" com um sorriso e, se tiver comigo o Livro de Ponto, colocá-lo bem à vista! Sim, esse é o melhor método! O Livro é laranja e as minhas pastas costumam ser pretas... criando-se ali um contraste perfeito! E entre alunos, quando uma pessoa tem de atravessar o pátio cheio, o Livro de Ponto vai sempre debaixo do braço do lado de fora da pasta, para evitar empurrões e substituir qualquer possível rasteira ou piropo por "É professora?!" em burburinho... E até agora tem resultado!
Na papelaria, em que o balcão alto me reduz a eficácia dos truques, é que não consigo evitar a ira da funcionária ao entrar perto da hora de fecho... mesmo antes de falar "Oh menina, já fechou!".
20 janeiro 2012
Qual o melhor caminho?
O Mundo é algo mágico, quase inexplicável para muitos, e que nos põe à prova um sem número de vezes.
Talvez a maioria das pessoas não se aperceba que isto acontece, mas se existe a "luz" que ilumina as nossas decisões, é um facto que existe outra, uma espécie de holofote de estádio de futebol, que nos mostra todos os desafios e problemas por e para resolver! E, quando achamos que o holofote está focado num caminho que devemos seguir, liga-se outro, com aquele dramatismo de filme de cinema, aquele som de suspense de "E agora?... Vai acontecer alguma coisa!"... Pois, e a "coisa" acontece... a dúvida aparece e temos de nos pôr ao ataque com a decisão!
Ultimamente, pensei que esta minha lacuna, falha, defeito - como lhe queiram chamar - estava quase ultrapassada. A vida tem-me dado algumas hipóteses de optar e tenho conseguido superar os desafios.
Mas, quando fica tudo mais calmo, surge sempre uma novidade! Que não costuma ser confortável, pelo menos para o sono!
Depois de ter decidido que vou aceitar o lugar de professora de Geometria Descritiva (e mesmo que a certeza nunca chegue, a decisão ficou tomada... o que me deixa orgulhosa) e quando está tudo mais calmo, surge a pergunta durante uma consulta de rotina de oftalmologia: "Então e a Isabel, não quer fazer a operação?"
Noutros tempos, já me tinha feito a mesma pergunta à qual prontamente respondi "Não Doutor, acho que ainda não estou preparada!" E não estava, nem psicologicamente, nem tão pouco financeiramente! Foi rápido e bastante eficaz.
Agora, com os benefícios financeiros do Estado ameaçados pela crise que teima em não passar (quase como se estivéssemos empoleirados numa varanda a olhar para o final da rua na esperança de vislumbrar a Banda Filarmónica...) e, finalmente, com um cartão da ADSE (que numa situação destas quase parece um Cartão Visa... GOLD!), fica mais difícil a decisão!
É um facto que ainda não estou preparada psicologicamente para a operação, mas financeiramente talvez fosse de aproveitar o "Cartão Dourado", porque Portugal pode declarar falência amanhã e depois acabou-se o financiamento da "operação estética" (como o Doutor lhe chama)... ou então mais vale mesmo ficar assim, como prova da minha confiança num Portugal melhor onde, daqui a uns anos, vou estar feliz, a dar aulas a crianças interessadas, com direito ao "Cartão Dourado" que, acompanhado da minha motivação e decisão psicológica, não me faz hesitar financeiramente!
Depois das hipóteses bem delineadas, só falta mesmo perceber qual o melhor caminho, calçar os ténis de corrida e fugir, ou aguardar pelo momento em que se desliga um dos holofotes para seguir tranquilamente o outro, ou ainda pelo deflagrar de um "incêndio" algures para eu seguir as setas de "SAÍDA DE EMERGÊNCIA".
Vai ser uma opção natural, acredito que sim.
Talvez a maioria das pessoas não se aperceba que isto acontece, mas se existe a "luz" que ilumina as nossas decisões, é um facto que existe outra, uma espécie de holofote de estádio de futebol, que nos mostra todos os desafios e problemas por e para resolver! E, quando achamos que o holofote está focado num caminho que devemos seguir, liga-se outro, com aquele dramatismo de filme de cinema, aquele som de suspense de "E agora?... Vai acontecer alguma coisa!"... Pois, e a "coisa" acontece... a dúvida aparece e temos de nos pôr ao ataque com a decisão!
Ultimamente, pensei que esta minha lacuna, falha, defeito - como lhe queiram chamar - estava quase ultrapassada. A vida tem-me dado algumas hipóteses de optar e tenho conseguido superar os desafios.
Mas, quando fica tudo mais calmo, surge sempre uma novidade! Que não costuma ser confortável, pelo menos para o sono!
Depois de ter decidido que vou aceitar o lugar de professora de Geometria Descritiva (e mesmo que a certeza nunca chegue, a decisão ficou tomada... o que me deixa orgulhosa) e quando está tudo mais calmo, surge a pergunta durante uma consulta de rotina de oftalmologia: "Então e a Isabel, não quer fazer a operação?"
Noutros tempos, já me tinha feito a mesma pergunta à qual prontamente respondi "Não Doutor, acho que ainda não estou preparada!" E não estava, nem psicologicamente, nem tão pouco financeiramente! Foi rápido e bastante eficaz.
Agora, com os benefícios financeiros do Estado ameaçados pela crise que teima em não passar (quase como se estivéssemos empoleirados numa varanda a olhar para o final da rua na esperança de vislumbrar a Banda Filarmónica...) e, finalmente, com um cartão da ADSE (que numa situação destas quase parece um Cartão Visa... GOLD!), fica mais difícil a decisão!
É um facto que ainda não estou preparada psicologicamente para a operação, mas financeiramente talvez fosse de aproveitar o "Cartão Dourado", porque Portugal pode declarar falência amanhã e depois acabou-se o financiamento da "operação estética" (como o Doutor lhe chama)... ou então mais vale mesmo ficar assim, como prova da minha confiança num Portugal melhor onde, daqui a uns anos, vou estar feliz, a dar aulas a crianças interessadas, com direito ao "Cartão Dourado" que, acompanhado da minha motivação e decisão psicológica, não me faz hesitar financeiramente!
Depois das hipóteses bem delineadas, só falta mesmo perceber qual o melhor caminho, calçar os ténis de corrida e fugir, ou aguardar pelo momento em que se desliga um dos holofotes para seguir tranquilamente o outro, ou ainda pelo deflagrar de um "incêndio" algures para eu seguir as setas de "SAÍDA DE EMERGÊNCIA".
Vai ser uma opção natural, acredito que sim.
02 janeiro 2012
Um desejo
No fim do Alto Alentejo, com o sol de Inverno de final de tarde a bater nas nossas caras, surge a mensagem de ano novo...
Sem grandes comentários, parece que o ciclo por onde estas palavras já passaram retomou e tem lugar nos dias de hoje. Não sei como é que há tanto tempo se diziam palavras tão sábias acerca de um futuro como o de amanhã, mas encheram-me (...encheram-nos) de esperança. Esperança em cada um de nós. O desejo fica aqui... cuidar do meu canteiro.
12 dezembro 2011
Ser professor não é fácil
Já todos nós tínhamos ouvido dizer que ser professor é uma tarefa trabalhosa, uma profissão ingrata, difícil, de quilómetros para fazer, deslocada, desvalorizada, etc... Nos tempos próximos, assistimos a grandes manifestações de professores que levaram milhares às ruas de Lisboa! Todos sabemos disso.
Mas existem pormenores que, só entrando neste mundo, é que se conhecem.
Como já estavam as aulas a decorrer quando entrei na Escola, o "comboio" já tinha começado a andar e eu agarrei-me a uma carruagem e lá fui...
Quando entramos numa profissão, deveriam ser-nos dadas as lições básicas para a podermos executar sem parecermos uns "estagiários", uns novatos (ou mesmo totós!) na matéria.
Lembro-me que, quando iniciei a actividade de Arquitectura, tive a esta sensação, e agora, como Professora, estou a repeti-la.
No caso da Arquitectura, o meio era pequeno, um atelier onde todos parecem remar no mesmo sentido. Existe uma ou duas pessoas que te integram na tua nova "família" e que se mostram completamente disponíveis em te ajudar.
Digamos que, em traços largos, numa Escola passa-se o mesmo, mas com umas proporções mais alargadas: chegando a uma Escola pela primeira vez, o meio é um universo maior, com alguns Directores, Responsáveis, Coordenadores, Departamentos, Grupos... aparentemente com objectivos iguais, mas remando cada um no seu sentido. Existem uma ou duas pessoas que te integram na nova uma "super-família" cheia de primos muito afastados, e que se mostram completamente disponíveis para te ajudar, mas que têm milhentas coisas para fazer! Transformando-se a grande vontade de ajudar numa esperança de "salve-se quem puder e que eu seja um deles"!
Na minha segunda semana de aulas houve um preenchimento de calendário por reuniões, onde tive contacto com a versão "Língua dos Pês - modo Professor", o dito "chinês": "...temos alunos PEI nesta turma" "e cada um tem de realizar o APA"... "esta aluna está quase a atingir o PIT, por isso temos de planeá-lo em breve... vão pensando nisso!"... Hein? É claro que, quando todos acenam, nós, ignorantes, não temos coragem, apesar da vontade, de exprimir com som as interjeições que nos passam pela cabeça... "O quê?? wtf?? ...Temos o hein? o PEI quê? Hum?"
E substituímos tudo isto pelo aceno de cabeça e pelo convicto "Sim, sim... claro que temos." e as interjeições na minha cabeça dão lugar a "Tenho de perguntar à minha mãe!".
Devia existir uma formação obrigatória de pedagogia e funcionamento Escolar... porque, já lá andámos muitos anos como alunos, mas nos bastidores passa-se tanta coisa que nunca nos apercebemos! Era escusado passarmos por estas figuras e termos de procurar as "Mães" que nos expliquem tudo...
Viva o PAA, o APA, o PEI e os OEs! Viva a DT, o Eor e o Ep que vieram enriquecer o meu vocabulário de siglas... e que irritam o meu sistema nervoso!
Mas existem pormenores que, só entrando neste mundo, é que se conhecem.
Como já estavam as aulas a decorrer quando entrei na Escola, o "comboio" já tinha começado a andar e eu agarrei-me a uma carruagem e lá fui...
Quando entramos numa profissão, deveriam ser-nos dadas as lições básicas para a podermos executar sem parecermos uns "estagiários", uns novatos (ou mesmo totós!) na matéria.
Lembro-me que, quando iniciei a actividade de Arquitectura, tive a esta sensação, e agora, como Professora, estou a repeti-la.
No caso da Arquitectura, o meio era pequeno, um atelier onde todos parecem remar no mesmo sentido. Existe uma ou duas pessoas que te integram na tua nova "família" e que se mostram completamente disponíveis em te ajudar.
Digamos que, em traços largos, numa Escola passa-se o mesmo, mas com umas proporções mais alargadas: chegando a uma Escola pela primeira vez, o meio é um universo maior, com alguns Directores, Responsáveis, Coordenadores, Departamentos, Grupos... aparentemente com objectivos iguais, mas remando cada um no seu sentido. Existem uma ou duas pessoas que te integram na nova uma "super-família" cheia de primos muito afastados, e que se mostram completamente disponíveis para te ajudar, mas que têm milhentas coisas para fazer! Transformando-se a grande vontade de ajudar numa esperança de "salve-se quem puder e que eu seja um deles"!
Na minha segunda semana de aulas houve um preenchimento de calendário por reuniões, onde tive contacto com a versão "Língua dos Pês - modo Professor", o dito "chinês": "...temos alunos PEI nesta turma" "e cada um tem de realizar o APA"... "esta aluna está quase a atingir o PIT, por isso temos de planeá-lo em breve... vão pensando nisso!"... Hein? É claro que, quando todos acenam, nós, ignorantes, não temos coragem, apesar da vontade, de exprimir com som as interjeições que nos passam pela cabeça... "O quê?? wtf?? ...Temos o hein? o PEI quê? Hum?"
E substituímos tudo isto pelo aceno de cabeça e pelo convicto "Sim, sim... claro que temos." e as interjeições na minha cabeça dão lugar a "Tenho de perguntar à minha mãe!".
Devia existir uma formação obrigatória de pedagogia e funcionamento Escolar... porque, já lá andámos muitos anos como alunos, mas nos bastidores passa-se tanta coisa que nunca nos apercebemos! Era escusado passarmos por estas figuras e termos de procurar as "Mães" que nos expliquem tudo...
Viva o PAA, o APA, o PEI e os OEs! Viva a DT, o Eor e o Ep que vieram enriquecer o meu vocabulário de siglas... e que irritam o meu sistema nervoso!
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