A idade é algo que nos acompanha ao longo da vida, que comemoramos ano após ano, mas que repudiamos o crescimento. Não que não queiramos viver os anos... sim, de facto todos desejamos chegar à idade daquelas senhoras bem penteadas, com muitos filhos e netos, felizes e uma idade de orgulho, de preferência atingir os 90 anos, mas só daqui a uns trezentos anos, claro!
E se, quando alguém nos diz "Estás mais velha!", nos vem logo à cabeça que talvez seja o momento ideal para nos agarrarmos ao pescoço desse alguém, quando nos dizem "Estás mais nova!" nasce sempre um sorriso expressivo e esperançoso de que não seja apenas a manifestação pura de simpatia, mas antes que aquelas rugas ou pele descaída algures tenham desaparecido e que se tratem de um mal entendido à luz dos nossos olhos... ou então que estejamos melhores a esconde-las dos outros!
Existem, por outro lado, algumas situações que em que sermos vistos como mais novos pode não ser a coisa mais prazerosa ou confortável. E ultimamente tenho passado por esses momentos.
Quem me conhece sabe que não sou de grandes maquilhagens, que gosto de me vestir de forma confortável e que sempre fui "confundida" como mais nova - desde as filas da discoteca, até à porta do Casino, nunca pude estar à frente, ser a primeira do grupo.
E a verdade é que, não é por estar a dar aulas numa escola à séria que mudei muito. Dou mais importância à mala com que ando, ao cabelo, que tenho o trabalho de esticar, aos sapatos, para não usar ténis todos os dias, ao blush e ao risco nos olhos, que faço questão de não me esquecer de pôr!
Mas as meninas de hoje são realmente "evoluídas", para não lhes chamar "aperaltadas" ou "enfeitadas", e o meu esforço nem sempre resulta.
Quando algum funcionário da Escola que eu não conheça me vê numa zona apenas de professores, penso logo em atitudes que me possam denunciar ou identificar como professora - desde andar com o nariz no ar e aspeto confiante, dizer "Boa tarde" com um sorriso e, se tiver comigo o Livro de Ponto, colocá-lo bem à vista! Sim, esse é o melhor método! O Livro é laranja e as minhas pastas costumam ser pretas... criando-se ali um contraste perfeito! E entre alunos, quando uma pessoa tem de atravessar o pátio cheio, o Livro de Ponto vai sempre debaixo do braço do lado de fora da pasta, para evitar empurrões e substituir qualquer possível rasteira ou piropo por "É professora?!" em burburinho... E até agora tem resultado!
Na papelaria, em que o balcão alto me reduz a eficácia dos truques, é que não consigo evitar a ira da funcionária ao entrar perto da hora de fecho... mesmo antes de falar "Oh menina, já fechou!".
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