20 março 2012

o medo das coisas

Há uns dias, falei com uma antiga colega de faculdade, que está grávida, sobre o que a levou a tomar o passo. Entre várias razões, houve uma que me deixou a pensar na vida e no que fazemos com ela - a Joana disse-me que se apercebeu que só ainda não queria ter sido mãe porque tinha um medo enorme, avassalador de tomar essa decisão, de assumir essa responsabilidade, mas que, no fundo, queria "desesperadamente ser mãe!".

De facto, nem sempre a vida nos premeia com o trabalho ideal, com a casa ideal, com a vida ideal, com aquilo que sonhamos desde que pensamos na vida como um conjunto de objectivos a atingir.
E, mesmo sabendo nós que podemos ter mais ou menos sorte com o que encontramos nos nossos caminhos, o medo de enfrentarmos algo com o qual não sabemos lidar, que não temos "escrito" como reagir, tira-nos, muitas vezes, talvez mesmo demasiadas, passos que até poderiam ser tão bons, tão importantes.

Este medo decide, muitas vezes, por nós. Este é aquele medo que nos faz terminar um curso que não gostamos, que nos arranja as melhores desculpas quando temos uma consulta ou um exame importante marcado, que nos faz mudar de lado na rua porque se aproxima um cão daqueles grandes... e sem trela!

É um medo de ter de fugir e não conseguir, medo de ficar perdido, da sorte não premiar o amanhã.

Mas este medo pode ser também confundido com a ambição e esperança que vai desenhando o futuro como sonhos. E passo a explicar...
A vontade de alcançarmos o que sonhámos como ideal, como atingível ao nosso rumo, cria, em torno das nossas escolhas, uma censura que apelidamos de "medo de não conseguir", "medo de não estar à altura", "medo de errar", de ainda não ser o momento certo... medo de nos desapontarmos connosco próprios.

A verdade é que o dia de amanhã, que temos como certo que será melhor, pode não chegar sob essa forma cor-de-rosa, pode nunca dar-nos (sequer!) oportunidade de optar correctamente.

Nesta história toda, é bom irmo-nos apercebendo destes ilusionismos que nos fascinam e nos encantam (ou enganam), desviando-nos dos verdadeiros objectivos e das suas mais puras essências. Só assim podemos tentar viver mais e melhor, entender o que estamos a perder e a altura certa para fazer cada coisa.
Vencer cada medo hoje, torna-nos pessoas melhores amanhã. Mais genuínas.


1 comentário:

  1. a pouco tempo tive uma reflexão deste género. Senti medo de uma "coisa", que assim a primeira, parecia que era porque não queria a essa "coisa". Só depois de clarificar bem as ideias é que percebi que a "coisa" era importante e boa, era só medo de não estar a altura ou de não conseguir :) é aquele medo que se confunde yap.
    abraço grande e gordo (de fofinho) lol

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